sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Lâminas de machado


O Museu Julio de Castilhos apresenta a segunda exposição das "Séries Arqueológicas: Conhecendo as lâminas de machado", com curadoria de Gabriela Konrath. A Instituição preserva em seu acervo cerca de 650 objetos das tradições arqueológicas do Rio Grande do Sul.  
Os machados de pedra polida são belos exemplares da cultura material de grupos que ocuparam as terras brasileiras antes da chegada dos portugueses à América. A variedade de tamanhos e as formas dos machados indicam as funções diferenciadas na sua utilização e, além disso, demonstram a técnica e o domínio do artífice na confecção de instrumentos de pedra.
Apesar desses artefatos estarem sempre presentes nos contextos arqueológicos, existem poucos relatos de cronistas e viajantes, em contato com grupos indígenas, nos séculos XVI e XVII, descrevendo qual seria a forma de utilização desses instrumentos, uma vez que logo foram substituídos por lâminas de metal. Poderiam ser utilizados para a derrubada ou o corte de troncos de árvores, para o trabalho em madeira, para a abertura de troncos podres na busca de insetos etc. Alguns estudos, por sua vez, demonstram que, dado o tempo despendido na sua confecção, a dificuldade na execução das tarefas de corte e o esmero estilístico aplicado nas peças, alguns machados polidos possuiriam uma função ritual e poderiam ser utilizados como instrumentos de guerra.
Os machados são polidos de forma a produzir uma superfície lisa e brilhante, um gume cortante e, por vezes, são confeccionadas reentrâncias (sulcos) na rocha que indicam a anexação de um cabo para a utilização dos machados. O polimento é uma técnica que altera a superfície da rocha e possibilita um gume afiado. É feito com o auxílio de um polidor (instrumento de pedra) e o acréscimo de água e areia. Já o encabamento pode ser feito através de um orifício em um cabo de madeira, onde o machado é inserido e preso com o auxílio de cordas (fibras) e uma goma (cera e/ou resina).