sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A escuta para construção do Plano Museológico

Um dos nossos desafios é o de nos adequarmos a lei n° 11904/09 que versa sobre o Estatuto dos Museus, para isso estamos trabalhando para reorganizarmos o regimento interno e construir nosso plano museológico, sistematizando melhor nosso funcionamento e atividades.
Na primeira reunião com a assessoria da Simone Monteiro, Coordenadora do Sistema Estadual de Museus do RS, que explanou sobre a construção da política nacional de museus, a organização do regimento interno e do plano museológico, podemos pensar uma forma de entender e criar uma dinâmica de trabalho que nos desafiasse a reinventar um museu centenário, como o Museu Julio de Castilhos. A partir dessas reflexões em um debate que envolveu toda a equipe técnica e administrativa do museu, optamos por escutar algumas pessoas (ex-diretores e funcionários, pesquisadores, historiadores, museológos...) que possam nos dar referências de como o museu atuou e possa a vir a atuar esta instituição, fazendo um exame de auto-avaliação, de pensar o acervo e os programas que se instituem para a gestão do museu.
Sempre tendo por base esta interpretação de que "Nenhum museu é total. O homem deve procurar encontrar-se em todos, reconstituir pacientemente sua própria natureza e sua própria cultura partindo de objetos, de espécimes, de obras de arte de todas as origens, a fim de prosseguir com continuidade e tenacidade sua obra criadora" (CHAGAS apud VARINE, 2009. p.50), assim a formulação do regimento interno e do plano museológico, embora configurada por recortes específicos como linhas de pesquisas e orientações de trabalhos, mão se torna um documento limitado, que irá engessar o museu, mas sim um documento abrangente, focando questões que fundamentem sobre o MJC novas reinterpretações e perspectivas de olhares.
Assim aos poucos, com esses debates e reuniões, vamos ampliando nossos conhecimentos sobre a instituição, ouvindo relatos e experiências que mostram esta "obra criadora" de espaço de memória, partindo da cultura do objeto, mas perpassando espaço e tempo, que denotam histórias.
Nosso próximo passo, é o de organizarmos um seminário interno que estude textos conceituais e técnicos, com mediação de profissionais que trazem o olhar externo sobre a instituição, para que com o acúmulo já adquirido dos debates e das reuniões, possam assim readequar nosso regimento interno e descrever nosso plano museológico.

Joel Santana
Diretor do Museu Julio de Castilhos

Referências Bibliográficas

CHAGAS, Mário. Museu, Memória e Poder em Gustavo Barroso, Gilberto Freyre e Darcy Ribeiro. MinC/IBRAM. Rio de Janeiro. 2009